segunda-feira, 13 de outubro de 2014
Para Mimi ler quando crescer:
Eu sempre fui do time "prefiro cachorro do
que gato" até você chegar. De uns tempos pra cá, decidi que ia
compartilhar o meu amor com um gatinho abandonado. Queria um filhote e
preto para dar sorte. No dia em que decidi ir te buscar, não sabia quem
viria. Peguei emprestado da Larissa Saccomano
a caixa para o transporte e pedi a Deus o dia todo que chegasse em
casa, uma gatinha ou gatinho especial para se juntar a essa família
cheia de crianças com personalidades
fortes e gente meio "despedaçada" pela vida! E fui para a Cobasi, sem
saber o que me esperava. Lá não tinha filhote, tinha você e um outro
gato adulto e bem nervoso. Fiquei com medo de você, ao mesmo tempo em
que você se esfregava na gaiola, implorando por carinho. Cheguei a
perguntar quando chegariam os filhotes. E saí da loja. Fiquei parada por
5 minutos e ouvi uma voz: "Você não pediu uma gatinha especial para a
sua família? É aquela preta!" Voltei sem pensar, ainda com medo de você!
Paguei a taxa de 50 reais, assinei uns papéis e a moça te colocou na
caixa cor de rosa. Voltamos em silêncio pra casa. Você miava assustada.
Em casa, você saiu da caixa rapidamente e respeitei o seu tempo. Meia
hora depois, já me seguia pela casa. E as crianças chegaram da escola e
você as recebeu como velhas conhecidas de muito tempo. Desde então é o
nosso amor. Minha companheira que não me deixa só por um minuto. E vive
uma vida cheia de amor e regalias. Digo pra vc que de gata da rua, você
virou uma " gata perua"! Fico imaginando como era a sua vida antes...
Mas isso não importa, o que importa é que hoje quem compartilha o seu
amor comigo é você, doce Mimi!
Para Gaia ler quando crescer!
Seu sonho era ter a Princesinha Sofia. Ontem finalmente o seu sonho
realizou. Comprei a Sofia e fizemos uma troca: você deu para a Elisangela Santana
as duas chupetas para ela dar para os "bebês pobres"! (filha pra vc
saber quando crescer, que elas estão escondidas no armário da cozinha)! A
Sofia te acompanhou durante toda a manhã, ficou dormindo na sua cama
quando vc foi para a escola e assistiu vc tomando banho e jantando. Na
hora de dormir, você chorou sentida por 5 minutos, com saudades da
"pepe"! Eu te abracei e agüentamos firmes. E você foi muito corajosa.
Dormiu sem a chupeta, acordou a noite e não pediu ela, só arrumou o
vestido da Sofia enquanto ela dormia ao seu lado. Talvez você já
estivesse preparada para esse momento e eu não. Hoje com 3 anos e 2
meses, já é uma menina muito corajosa! E seguimos, eu aprendendo com
você!
terça-feira, 19 de agosto de 2014
Gaia faz 3 anos
Filha, hoje
é seu aniversário, mas você não sabe. Você acha que é só a sua festa na escola.
Porque hoje, a mamãe esta viajando e cantamos parabéns pra você no domingo, com
seus amigos. Falei com você cedinho pelo telefone e provavelmente só vou te
encontrar dormindo. Mas vou te beijar e desenhar um coração na sua mão, pra te
dizer que estou em casa. O que importa é que hoje celebro a sua vida e rezo,
para que você seja a melhor pessoa que conseguir ser. Hoje você esta com a vovó
e com seus irmãos em casa e sua vidinha segue cheia de dengos e carinhos.
quinta-feira, 31 de julho de 2014
Uma carta para o Theo
Meu amor Theo.
Você já fez 10 anos.
Dez anos onde me ensinou
muito. Me ensinou primeiro a ser mãe e a amar.
Você foi corajoso, foi o
primeiro dos seus 3 irmãos. Me encontrou com 30 anos e ainda um tanto imatura
nos sentimentos. E sentimentos não se ensina, se sente.
Hoje te peço perdão por ser
tão “estressada” como você mesmo diz. Penso nisso todos os dias e quero
ser uma pessoa melhor pra você e por você.
Você é emotivo, é sentimental
e me faz me lembrar de mim quando criança.
Você é tudo o que sempre
sonhei.
Sinto que fizemos um trato
antes de descer. Um trato de amor e de aceitação.
Meu desejo é que você se
torne um homem fiel aos seus sentimentos e que busque momentos felizes em sua
vida tão preciosa.
Você é um filho, um amigo, um
neto, um primo muito amado. Acredite nisso, sempre. E faça desse amor a
ferramenta para os momentos que vierem.
Uma carta para o Levi.
Você fez 5 anos.
Cinco anos de grande aprendizado ao seu lado, meu lindo Levi.
Você é um menino muito especial, inteligente, e parece muito mais velho do que a idade que tem na Terra. E na verdade é. Sua alma é milenar e sábia.
Essa vida louca que a gente leva, muitas vezes me faz perder a paciência com você, e me culpo por isso.
Hoje, venho aqui te pedir desculpas pelos erros que eu possa ter cometido nesses 5 anos de sua vida.
De todas as suas infinitas qualidades que eu poderia ficar por horas e horas escrevendo pra você, a que mais me chama a atenção é a sua generosidade.
Você tem um coração livre para o perdão, para ajudar seu irmão e sua irmã e para me acalentar o coração em dias não muito bons.
É injusto com você a falta do meu tempo, a correria do dia a dia.
Hoje quero te dizer que quero ficar mais e mais tempo ao seu lado. E te agradecer por ter me escolhido como mãe. Você é o melhor filho que eu poderia ter, e o melhor irmão que seus irmãos poderiam escolher. Para sempre, te amo, Levi!
Mamãe
quinta-feira, 5 de junho de 2014
Filhos, quando a gente ama é assim.
Quando me
apaixonei por você, me apaixonei pelo o que eu não tinha.
Me
apaixonei pela sua disciplina, pela sua coerência, pelo seu pensamento prático,
pelo amor que sei que você têm dentro do peito. Ainda continuo apaixonada por
tudo o que você têm e eu não, mas isso já não importa mais.
Quando
fomos morar juntos, me apaixonei pelo seu jeito de cuidar da casa, pela sua
praticidade em fazer coisas do dia a dia que sempre foram muito difíceis pra
mim, me apaixonei pelo pai que você se mostrou ser, mas isso já não importa
mais.
Se falhei
foi por te respeitar demais. Se falhei foi por tentar ser a mulher, a esposa, a
mãe, que você sonhava em ter por perto. Foi por te amar demais. Um amor que
talvez você entenda em outros planos, porque nesse já não importa mais.
Não sou uma
pessoa omissa, sou uma pessoa que as vezes não sabe o que fazer, mas quem sabe
o que fazer o tempo todo?
Não sou uma
mãe omissa, procuro dentro de mim o que não me foi ensinado, e tento tento
tento ser a melhor mãe que consigo ser. Mesmo não lendo todos os livros, ouço a
minha intuição, mas você não confia.
Nunca te
disse, ou te demonstrei que o que você fez não foi o suficiente, nunca.
Te pedi
para ser receptivo quando chegássemos em casa e você foi, comprei dois
presentes de Natal para a sua criança interior, te abraçava sempre que você me
deixava chegar perto. Fiz uma surpresa pra você no seu aniversário enquanto
você trabalhava, dei a maior força para a sua mãe e sua irmã virem nos visitar,
paguei as contas da casa quando você não podia, saí para trabalhar fora pra ver
se o trabalho não interferia mais na nossa relação. Morria de dor de estômago
quando tinha que te dizer que eu precisava trabalhar a noite, ou nos finais de
semana, porque sabia que você ia levar para o lado pessoal.
Mesmo você
indo trabalhar fora o dia todo, e eu ficando com todos com todos os afazeres de
casa e mais o meu trabalho, eu nunca me senti mal com isso.
Eu sempre
estive disposta pra você, sempre, mas isso não importa mais.
Sim, tenho
muito o que me arrumar, tenho muito o que consertar, mas não sou uma pessoa
ruim.
Tentava
deixar a casa em ordem quando você saia para trabalhar, do jeito que você
gostava: o umidificador ligado, as cortinas da sala abaixadas durante a noite,
a vela acesa no altar. Me preocupava em comprar frutas, em saber como foi o seu
trabalho. Sempre perguntei se você precisava de alguma coisa do Mundo Verde, da
padaria, da farmácia, do supermercado. Morri de amor e de paixão por você
quando fazíamos amor. Nunca amei ninguém como te amei, mas isso, já não importa
mais.
Você me
disse na Bahia: Se eu não der conta de viver com você do seu jeito, eu vou
embora. E você foi. Mas não antes de falar coisas que não sou eu. Não antes de
tentar me destruir. Fez-se uma cratera dentro de mim. Ando rezado muito e
pedido a Deus para me ajudar nessa travessia.
Outro dia
eu pedi desculpas para as crianças, porque errei. (o que eu fiz: esqueci a Rosa
na escola e voltei para buscar) E eu pedi perdão e disse a eles: “Todo mundo erra, e todo mundo pode
consertar. Eu erro, o Levi erra, a Gaia, a vovó, a Elis, o Theo...” e o
Levi me disse: “O papai não erra, ele só
dá bronca na gente. E eu disse: “O papai erra sim, todo mundo erra e não tem
importância errar, porque sempre a gente pode consertar.”
Outro dia
também, o Levi deu um pedaço de tapioca para a Gaia e eu disse: “Levi, você é muito generoso!” E ele me
respondeu em segredo, baixinho no ouvido:
Eu sou generoso porque faço parte da equipe da nossa jornada.”
E no carro,
Levi me pergunta: Quando o papai vai
sarar? E eu disse: Logo. Ele já esta
sarando, né? Ele fica muito feliz com vocês.
E o Theo
fala lá de trás:
Mãe, você já parou pra pensar que
ele é triste, mas ele finge ficar feliz por causa da gente?
E eu digo: É... pode ser!
E ficamos
todos em silêncio.
E é isso o
que tenho ensinado a eles. A entender que todo mundo erra, que a gente pode ser
generoso e enganar a tristeza muitas vezes.
É na minha
oração no carro com eles, indo ou voltando da escola. É na escolha de passar um
final de semana com o Theo, ao invés de sozinha. É no meu desespero de deixar
um mundo melhor pra eles, que te digo: Não sou uma pessoa omissa. E sim, eu
mostro Deus a eles.
Sou apenas
diferente de você. Nem melhor, nem pior, mas diferente. Mas isso já não importa
mais.
Nesse mês
que passou, eu quis te dizer: vem aqui, me dá um abraço, pára, desculpa, não
faz assim, vem aqui.
Sonhei que
você me jogou uma furadeira na cabeça, e ontem sonhei com o seu abraço.
Na minha
jornada, levo a trilha do Lenine que você me apresentou.
Somos
diferentes e ponto. E você não respeita a nossa diferença.
Talvez você
não saiba receber esse amor que eu e o Theo temos e sempre teremos por você.
Se eu tenho
algo pra te dizer é: obrigada!
Porque sim,
você estará comigo pra sempre. Dentro de mim. Levo comigo o melhor desses 5
anos.
Obrigada
por fazer parte da minha história.
quarta-feira, 4 de junho de 2014
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